terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ame Seus Inimigos

E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom.
E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. 

Por Frankcimarks Oliveira
Pretendo com esta mensagem:
1-    Analisar a universalidade da Graça de Deus,
2-    Encorajá-lo a buscar a Deus em oração.

O Senhor acabara de repreender os Fariseus por seu apego às tradições inúteis, ordenanças humanas, criadas para compensar sua desobediência aos verdadeiros mandamentos divinos, como honrar pai e mãe. Tais ensinos mandavam, por exemplo, que eles lavassem as mãos antes das refeições ou ritos, contudo, Cristo demonstrou que tais mandamentos eram incapazes de mudar os corações humanos, fonte de todo o mal existente no mundo.

As tradições religiosas conseguem no máximo reformar a aparência externa de seus adeptos, por isso lhe dão tanta importância. Jesus, entretanto, afirmou que Deus olha para o coração, pois se o coração for bom, todo o resto o será. Para nada serve um copo limpo por fora, se estiver sujo por dentro.

Deus em sua onipotência é capaz de alcançar o mais profundo da alma pecadora, transformando-a, coisa que religião alguma é capaz de fazer. Talvez você esteja dizendo: “conheço muita gente que foi transformada depois que aderiu a certa igreja”. Também conheço. Todavia, falo de novo nascimento, algo sobrenatural e não social. Algumas dessas mudanças são meramente superficiais e não duram muito tempo.

Agora, O Senhor parte paras as regiões de Tiro e Sidom, hoje atual Líbano, para nos ensinar outra lição: Sua Graça é para todos, em qualquer lugar; independe das circunstâncias, da história, da cultura; não precisa de aprovação humana, nem de crença.  

         Os Judeus não se davam bem com outros povos. Aquela Cananéia fazia parte de um povo que trouxe desgraça para Israel, através do culto a Baal. Talvez isso explique a dureza dos discípulos, que pediram a Cristo para dispensá-la, pois vinha gritando atrás deles.

Jezabel, outra mulher fenícia, casou-se com Acabe, e acabou por influenciá-lo de tal modo que o culto a Baal tornou-se maior que o culto a Javé, que através do profeta Elias, demonstrou ser o verdadeiro Deus. O que estou querendo dizer é que Jesus não levou nada disso em conta para abençoá-la. Não houve barreiras entre a mãe aflita e o Senhor; o passado de sua gente e todo o mal que sua idolatria causou a Israel, não impossibilitou Deus de agir graciosamente com ela.

Que bom que Deus não se apega aos erros de nossos ancestrais. Que bom que Deus perdoa o passado. Se Ele não fizesse assim, aquela mulher, desesperada pelo terrível estado de sua filha, teria voltado de mãos vazias para casa, todavia sabemos que sua fé em Cristo frutificou.

Esta mensagem é sobre perdão. Jesus queria ensinar aos apóstolos que suas desavenças históricas não deviam superar o objetivo do evangelho: salvar a todos os eleitos, espalhados pelo mundo inteiro, inclusive em regiões gentílicas, pagãs.

O Pão da vida foi enviado para os filhos de Abraão, pertencentes a muitas nações, como Deus mesmo prometera no Velho testamento. “serás o pai de muitas nações; E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente.” Portanto, eles precisavam, assim como o profeta Jonas, enviado a Nínive, perdoar seus inimigos.

I-                  Uma mãe que clama

Deus é como uma mãe. Seu amor não tem limites. Por seus filhos ele faz o impossível. Ali estava uma mãe, atravessando fronteiras por sua filha possessa, humilhando-se aos pés de um homem, um estranho, famoso, mas ainda estranho. Talvez suas próprias crenças e rituais fizeram sua filha chegar àquele estado de opressão. Baal nada pôde fazer por sua pequena menina, que jazia num leito dia após dia.

Não tenho dúvidas de que assim como os antigos profetas de Baal, desafiados por Elias, que se cortaram e entraram em frenesi por seu deus, aquela pobre mulher, em seu desespero, também fizera o mesmo. Quase a vejo cortando-se num ritual de invocação por cura, vertendo sangue, inutilmente. Finalmente, depois de muitas tentativas frustradas, ela, ao ouvir falar do bom nome de Jesus, resolveu busca-lo.

Deus estava sim interessado nela. Primeiro, porque ela demonstrou sua fé e sua perseverança. Segundo, porque mesmo sendo de um povo alheio, demonstrou seu amor para com sua filha e Deus é amor. Todo aquele que ama é de Deus.

Pense nos riscos que essa mulher correu. Ela tinha de voltar para sua terra, onde todos adoravam a Baal. Mas agora ela trazia consigo o nome de Jesus. Digamos que ela se converteu. Será que sua nova fé não lhe acarretou perseguição? Será que seu testemunho não despertou a ira dos mais fanáticos entre seus conterrâneos? Se ela realmente conheceu a Cristo, nada disso teve importância. Ela, com seus próprios olhos, contemplou a glória de Deus. Ela pôde dizer, assim como os filhos de Israel ao verem o fogo descer do céu e consumir o altar nos dias de Acabe, que só o Senhor é Deus.

II-              Um Deus que Cura

Deus está curando não apenas uma filha oprimida, mas seus apóstolos, de seus preconceitos. Tudo o que eles não queriam, era ver uma mulher, pagã, de outra religião, de outra cultura, ser abençoada por seu Deus. Ela não merecia, assim como seu povo, era isso o que eles pensavam.

Nós, cristãos, precisamos ser curados de nossos preconceitos. O evangelho, dádiva abençoadora, é para ser pregado até para aqueles que se dizem nossos inimigos. Sim, a palavra de Deus vai gerar arrependimento e o arrependimento conduzirá nossos ouvintes à Salvação. Não sejamos como Jonas, que conhecia o coração bondoso de Deus e sabia que Deus salvaria a população de Nínive com sua pregação, e por isso negou-se a fazer o ide. No fim das contas, ele estava certo: sua pregação, mesmo de má vontade, salvou aquela gente da destruição.

Você, leitor, que já foi abençoado com a mensagem do Evangelho, tem alguém em sua vida que precisa conhecer a Jesus através de você? Seu ódio e seu preconceito tem te feito fugir de tal pessoa? Supere suas desavenças e leve as boas novas de Cristo a seu inimigo e salve-o. Não há maior prova de amor do que pregar o evangelho do Senhor a alguém com quem não nos damos bem.

A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Portanto, não se recuse a dar de graça aquilo que você recebeu de graça. Não somos nós quem salvamos, é Deus quem salva. Mas aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.

Deus tem senso de humor. Ele, como se diz, matou dois coelhos com uma única cajadada. Por um lado, atendeu as orações de uma mãe aflita, que pode muito bem ter se tornado uma missionária em sua terra, bem como tratou dos preconceitos enraizados nos corações de seus discípulos.

III-          Conclusão

A graça de Deus alcança quem Deus quiser alcançar, não importa o gênero, a cor, a condição econômica, a crença;

Deus é amor e se compadece de todo aquele que o busca em verdade;

Deus deseja que seu amor esteja em nossa vida de tal modo que sejamos capazes de abençoar, compartilhando o evangelho, por exemplo, com aqueles que nos fizeram mal no passado, remoto ou não.


Que nossas orações sejam ouvidas assim como as desta mulher que pediu e recebeu, em nome de Jesus. Amém.

domingo, 15 de outubro de 2017

Adoração Inútil


Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens
 ( Mateus 15.9)
Por Frankcimarks Oliveira

Está escrito que devemos adorar somente a Deus. Contudo nem sempre  nossa  adoração  será  aceita  por  ele. Quando  isso pode acontecer? Foquemos no verso acima que diz: “Vocês me adoram inutilmente  quando  ensinam  doutrinas  que  procedem do homem e não de mim.”

Por que Jesus disse isso aos Fariseus?

Primeiro, Cristo  e seus  discípulos  foram  repreendidos por comerem no sábado,  colhendo  espigas, o que segundo eles se configurava quebra  da  lei  mosaica. Jesus  demonstrou, citando o velho testamento,  que  as  leis foram  feitas  para  os homens e não o inverso. Agora eles são  questionados, no capítulo quinze de Mateus,  por  não  lavarem as mãos antes das refeições. Para mostrar que não estavam agindo errado, Jesus pergunta: E por que vocês desobedecem a Deus para obedecerem a tradições?

 Aqui  já  abro  um  grande  parênteses: Nem tudo o que os “homens de Deus”  dizem sobre Deus, procede mesmo Dele. Cristo deixa isso  bem claro, chamando-os de hipócritas inclusive, pois explicitamente desobedeciam a mandamentos como honrar pai e mãe, muito mais importantes do que aqueles que ocupavam suas preocupações, por exemplo, o que, quando e como comer, isso é, questões de etiqueta.

Aprendemos com isso que os homens  inventam seus próprios mandamentos, muito mais fáceis, superficiais  e sem real importância, quando  não conseguem cumprir os divinos. A etiqueta então surge para substituir  o  amor  para com o próximo, dando uma falsa sensação de dever cumprido. Portanto, a religiosidade  nada  mais  é  que  um  autoengano  que  diz  para  o praticante: “Continue  obedecendo  todas  essas regras e normas e você estará agradando a Deus.” Jesus desmentiu essa lógica dizendo : o que contamina o homem não é o entra em seu interior, mas  o que sai. Assim,  as  normas  de etiqueta, as regras sociais, as imposições religiosas, a moral vigente, não podem transformar o ser humano  de  verdade. Servem  apenas para  mascarar  sua  verdade  interior.

Os  fariseus  foram chamados de cegos condutores de cegos, pois eles mesmos criam que cumprir todas  aquelas  tradições  os aperfeiçoavam, bem como a seus seguidores. Porém nem eles nem seus ouvintes  foram  beneficiados ,  muito  menos aceitos por Deus, por obedecerem  aquelas  regras  bestas  e inúteis  para o caráter, inventadas por homens  presunçosos.  Sacrifícios  tolos não valem  nada  para Deus. Por isso  Jesus  disse: “ Toda  planta  que  meu  pai não plantou, será arrancada”. Ele poderia ser mais claro?

Quase  toda religião se baseia na prática de regras e tradições que não  servem para  nada,  a não ser tornar os seus praticantes mais arrogantes e pseudo espiritais. Olhe para você mesmo e tire suas conclusões. Faça uma autoanálise sincera e veja se a rigorosidade de sua religião te tornou um ser humano melhor. Quais pecados você ainda esconde, fingindo tê-los vencido, apenas para manter as aparências e ser aceito no grupo ao qual faz parte? Podemos enganar a igreja, ao mundo, mas não a Deus. Lembre-se disso.

Paulo disse a cerca dessas  velhas ordenanças religiosas :

Se, pois, estais  mortos  com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por  que  vos carregam  ainda  de  ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.(Colossenses 2:20-23)

Toda  religião que  ensina  que para  se  alcançar a Deus ou a salvação  é  necessário  cumprir  uma  lista  de  regras, está equivocada e tão  cega quanto os fariseus dos dias de Jesus. Muitas delas dizem: Não coma isso e você será mais espiritual; não beba isso e você estará mais perto  de  Deus;  vista  isso  e  sua salvação estará comprometida. Bobagem! A salvação de nossas almas repousa nos ombros fortes de Cristo. Somente dele e de sua graça dependem nossas vidas.

Deus  olha para o coração e não para o cumprimento externo de certas ordenanças, fruto da invencionice humana. Somente Deus e seu poder  podem  transformar  os  nossos  corações malignos. Só  Deus alcança o nosso ser no seu íntimo, removendo todas as perversidades que por  lá  se  escondem.  Desse  modo,  a  religiosidade  vã, é essa que se limita ao exterior, ao corpo, a  etiqueta, as normas sociais impostas, que não nascem do amor divino, voluntário e espontâneo, que jorra naturalmente quando se é uma nova criatura em Cristo.

O  homem  velho,  religioso, que  tenta  provar  para  si mesmo e para o mundo que é uma pessoa direita e honesta, vive  de  aparências. Contudo de seu coração saem adultérios, engano, homicídios, inveja, impurezas. Por fora ele parece descente, mas Deus conhece seu interior. Desse  modo  toda  religião é por natureza  pura  hipocrisia,  pois  nasce  da  carnalidade  humana e do que o homem pensa ser necessário ser feito, nesse  caso, o lavar  as  mãos. Nada mais sugestivo, pois a religiosidade é vã  exatamente  porque  não  consegue  lavar o coração sujo  do pecador. Do  que  adianta  dar  banho  num  defunto e perfumá-lo? Logo sua natureza  morta  manifestará  sua  podridão latente.


O mandamento de Deus é este : Amarás a Deus e a teu próximo. Todo  aquele  que  nasceu  do alto, ama.  Quem não renasceu, não ama. Essa é a única maneira de  sabermos  se  somos  ou não somos novas pessoas em Cristo. Por mais que você cumpra tradições e ordenanças religiosas, se você odeia seu próximo,  seja  ele quem for, você  não  passa de uma sepultura bem pintada por fora.

domingo, 3 de setembro de 2017

Deus dos Oprimidos

Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. (João 8:7)
Por Frankcimarks Oliveira

O texto que irei abordar agora é extremamente conhecido; está carregado de beleza e sutileza e, portanto requer do leitor uma atenção maior. Pretendo com esta mensagem:
1-    Analisar a universalidade do pecado: Todos pecaram!
2-    Analisar o tribunal humano e compará-lo com o tribunal divino;
3-    Analisar a condição da ré e o caráter do Juiz.

Antes de qualquer coisa vejamos o contexto da cena:
Cristo fora  ao monte das oliveiras, provavelmente fazer o que sempre fazia: orar, reservadamente;
Cristo retorna para o templo e lá é abordado pelos religiosos, Fariseus e saduceus, para julgar uma MULHER pega em adultério.
Vivemos numa sociedade machista, isto é, governada pelos homens, que valoriza a força masculina e o orgulho de ser macho, onde a mulher, sempre foi considerada um mero objeto de prazer, útil para atividades domésticas e que não passava de uma “lua”, orbitando em volta de seu esposo, quando tinha um. Alguns judeus davam graças a Deus por não terem nascido mulheres, isso você encontra no Talmude, daí você conclui o quanto o sexo feminino fora considerado inferior, assunto que iremos descontruir nesse momento.
Paulo disse :  não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. (Gálatas 3:28)

Não há,  para Deus , diferença entre os gêneros, contudo o homem, aquele que sempre detivera o poder na história, pensando em seu lugar no topo da pirâmide, seguindo suas próprias conveniências, decidiu que era superior a mulher, logo esta deveria se submeter a tudo que ele desejasse, pois essa era a vontade de Deus. Erramos quando não questionamos os discursos que vêm de cima para baixo. Não é atoa que Cristo nessa mesma cena se abaixa para escrever com seu dedo na terra. Nem tudo o que os homens escreveram sobre Deus é o que Deus mesmo escreveu sobre si. Em nome de Deus os homens cometeram e cometem as maiores atrocidades, talvez numa tentativa imbecil de justificar seus próprios crimes e quem sabe aliviar a culpa.

O fato é que a maldade destes religiosos fica evidente no texto:

E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?(João 8:4,5)

Perceba a manobra que eles fizeram para avaliar Cristo, colocando-o numa situação delicada, pois conheciam seu coração amoroso, propício a perdoar,  e queriam coloca-lo em contradição com Moisés, isto é, a própria lei judaica, desse modo, acusá-lo-iam de quebrar a lei, logo colocariam as massas contra ele.

Aqui  já  abro um  parêntese:  Não  é  porque uma pessoa é religiosa e frequenta templos e igrejas que ela seja boa ou esteja imune ao mal, ao pecado, a inveja e ao ódio mais intenso. Estes fariseus não se preocupavam com a situação moral da sociedade, apenas queriam eliminar Cristo, tirando-lhe  a  influência.  Não  se importavam com o adultério e nada disso, apenas com o poder que estavam perdendo para o nazareno, seguido por multidões. Eles  queriam  saber o que Jesus tinha a dizer  para  usar suas próprias palavras contra ele mesmo: este é o mal em sua face mais limpa. O coração deles não sabia o que era amor, misericórdia; usaram aquela mulher, trataram-na como um mero objeto, esquecendo-se de que ela era um ser humano, com sentimentos e emoções. Não queriam reintegrá-la à sociedade, queriam descarta-la como um lixo. Eles maquinaram tudo: mandaram o adúltero embora, pois sabiam que a lei, a qual eles pareciam tão apegados, dizia que ambos deviam ser punidos. Fizeram uma arapuca para Cristo. 

Quantos não vivem suas vidas assim?: não dormem até destruírem alguém; fazem vigília, tramando como pegarão suas vítimas e não importa os meios que precisem usar, desde que desmoralizem e derrubem seus rivais. Muitas vezes estes homens, e mulheres também, ocupam cargos  importantes em instituições: são políticos, padres, pastores e etc. 

O poder destrói a humanidade que há em nós. Nem todos estão prontos para ter poder. É uma graça de Deus, muitas vezes, nunca alcançarmos lugares altos no mundo. Enfim, Jesus conhecia aquelas intenções malignas.  Eles podiam  usar  aquela  mulher frágil e simples para seus fins diabólicos, mas jamais usariam o filho de Deus. Jesus  ficou  quieto, fazendo  um  silêncio  sagrado, dando até mesmo aqueles homens um momento para refletirem no mal que estavam fazendo. O mesmo dedo que escreveu os dez mandamentos, escrevia agora algum mistério. Talvez seu gesto simbólico servisse  para  lembra-los de examinar melhor as escrituras, as quais eles distorciam com tanta facilidade. 

E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” 

A lei de Moisés ordenava que ambos os adúlteros fossem mortos. Mas ali estava apenas a parte mais fraca: a mulher. Pense comigo, leitor, o quanto a mulher já foi injustiçada, tratada como um nada, usada apenas para satisfazer os caprichos masculinos. No primeiro século a mulher jovem casava-se, e enquanto permanecia bela, era amada pelo esposo.

O repúdio era uma prática banal naqueles dias. Se por qualquer motivo o marido não mais se agradasse de sua mulher, ele podia repudiá-la, fazendo-a viver a margem da sociedade, sendo julgada como prostituta ou qualquer outra coisa. Ela não teria com o que se sustentar, talvez recorresse à venda de seu sexo para viver: era terrível.  Ninguém  olhava  com olhos de misericórdia  para  tais pessoas, Jesus olhou. Precisamos aprender que julgar é algo muito complexo e infelizmente o julgamento imediato da sociedade em geral é precipitado, pois não avalia o contexto dos acontecimentos. Nunca foi fácil ser mulher num mundo governado por homens, homens maus.

Essa mulher  representa  todas  as minorias de  oprimidos ao longo da história, dos negros aos judeus nos campos de extermínio. Deus está ao lado de todo aquele que é injustiçado, não importa o que ele seja. Deus ama a justiça, seus filhos também devem amá-la e busca-la.

Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. (1 João 3:10

Infelizmente, vejo cristãos ignorantes que militam seus próprios interesses, não importando se os outros sofrem; basta para esses que seus direitos estejam assegurados. Onde fica a ética nisso tudo? Uma religião sem ética não serve para nada . 

Porque o Senhor é justo, e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos. (Salmos 11:7)

Veja, essa mulher era uma pecadora, adúltera, não era como disse o salmista “reta”, mas  estava  sendo  injustiçada.  Ela sabia que havia errado; Cristo também. Contudo o que estava sendo feito com ela era mil vezes pior. Deus olhou para ela: Jesus a perdoou, após convencer a todos os presentes naquele tribunal que ninguém ali era melhor que a ré. Todos já cometeram pecados dignos de morte.

Leitor, sei que temos uma memória muito curta e rapidamente nos esquecemos de nossos erros. Antes de julgar alguém como terrível criminoso, ou mulher de vida fácil, ou de pecador abominável, pense em seus próprios pecados e julgue a si mesmo. Talvez depois deste exercício você desista de condenar seu próximo.O tribunal humano não se compara com o tribunal divino. O parâmetro de Deus não é apenas o legalismo. Deus sonda o coração e as profundezas da alma. Ele conhece as motivações e as circunstâncias, o tempo, os lugares e as pessoas que neles vivem. Nós temos pouquíssimo conhecimento e, portanto somos inaptos para julgarmos nossos irmãos. Temos um Estado de direito com seus representantes que podem fazer isso, ainda que precariamente.

Temos também a tendência de queremos fazer justiça com as próprias mãos, o que é errado. Normalmente os justiceiros apenas eliminam aqueles a quem julgam mal feitores. Cristo não eliminou a mulher adúltera, ele a perdoou e a devolveu ao seio social. Nossas instituições falham quando visam apenas punir os infratores. Precisamos reintegrá-los e não marginalizá-los ainda mais, por isso aprendamos a perdoar o passado dos desobedientes, pois quem nunca desobedeceu a alguma norma que atire a primeira pedra.

Os religiosos deveriam ter maior consciência disso, porém são os mais duros e rigorosos com aqueles que erram. Eles não têm piedade, são extremistas, que em nada se assemelham com Jesus, a quem tanto pregam. Deus é amor, é compaixão, é perdão, é nova chance, é recomeço.

O juiz, Jesus,  humildemente se abaixou, para mostrar sua compreensão com os homens, nesse caso uma mulher. Cristo amou as mulheres, dando-lhes especial atuação em seu ministério. Maria Madalena foi a primeira quem testemunhou sua ressurreição e naqueles dias o testemunho de uma mulher não valia nada. Muitas discípulas o acompanhavam em suas missões, sua mãe teve lugar especial no evangelho. Deus não enxerga o gênero, mas a alma que precisa de sua graça. Quando vamos parar de sermos tão sexistas?

Olhe o caráter do juiz da cena: Amaste a justiça e odiaste a impiedade; (Hebreus 1:9) Por que nós, que dizemos que somos seu povo, também não nos revoltamos contra as injustiças feitas contra as minorias sociais, sejam elas quais forem?

Ele ama a justiça e o juízo; (Salmos 33:5Por que nós, que dizemos ser novas criaturas, não abandonamos a corrupção do dia  a dia? É justo você se sentar na cadeira de um idoso enquanto viaja?

Mas  ai  de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras. (Lucas 11:42)

Por que nós, que dizemos amar a bíblia, somos tão hipócritas, pois damos  importância  apenas aquilo que nos é conveniente e nos esquecemos do que realmente importa, que é amar o próximo, vivendo justamente?  Do que adianta ir a templos, dar dízimos, se o seu coração odeia o seu vizinho, se você rouba e mente?

Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo. Talvez o Senhor Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de José. (Amós 5:15)

É muito fácil cumprir ritos e liturgias, eu quero ver você deixar de sonegar imposto. Imagine que esse dinheiro iria para a saúde pública e para a educação de muita gente. Isso se aplica  aos  políticos  corruptos,  verdadeiros  assassinos,  que  quando  roubam  a nossa tributação, tiram  a vida dos pacientes que estão em hospitais, sem remédios ou médicos qualificados para lhe tratarem adequadamente. Uma coisa que fazemos aqui ressoará ali: tudo está conectado.

Termino essa mensagem dizendo que Deus está com os oprimidos, com os mais fracos, com os desamparados.

O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos.( Salmos 103:6).

Foi o que ele fez com essa mulher adúltera, é o que ele fará com muitos, que aos olhos da sociedade moralista, são pecadores que merecem ser eliminados. Contudo Deus é um Juiz Justo, por isso que seu nome seja louvado:

Deus faz  justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados. (Salmos 146:7)  

Por  isso  mesmo, amigo, não suba na cadeira de juiz que pertence só ao Senhor Jesus Cristo. Deixe que ele julgue, pois ele é justo e bom. Portanto, caso você que está lendo essa mensagem, esteja passando por um momento assim em sua vida, creia que maior é Deus que o seu pecado. O mundo inteiro pode julgá-lo, confie em Deus, pois O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia. (Salmos 9:9)