sexta-feira, 13 de julho de 2018

Apenas o Necessário


Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos. (João 13:5-10)

Por Frankcimarks Oliveira
Objetivo desta mensagem:

1-    Refletir sobre as coisas realmente necessárias em nossas vidas;
2-    Refletir em nosso exagero cotidiano;
3-    Refletir em nossa falta de objetividade.

O importante nesta mensagem hoje não é analisar o exemplo de serviço cristão dado por Jesus. Também não pretendo analisar a traição de Judas, nem meditar na ceia do Senhor. Gostaria de focar na resposta concisa e clara de Cristo a Pedro: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos!

Esse termo “Não Necessita” despertou minha atenção. É sobre ele que falaremos agora.

Você sabe do que realmente precisa para viver? Será que eu e você temos alguma ideia do que realmente é necessário para nossa vida e felicidade? Provavelmente não.
         Geralmente perdemos com muita facilidade o foco das coisas importantes. Gastamos nosso tempo e energia com coisas secundárias e supérfluas. Essa não é a vontade de Deus para nós.

         Uma vida sem atenção, sem reflexão e objetivo, é uma vida desperdiçada. Deixamos de fazer o que deveríamos fazer, porque não nos demos conta de que o que estávamos fazendo era DESNECESSÁRIO.

         O que eu tenho feito com meu tempo?
         O que tenho feito com meu trabalho?
         O que tenho feito com meu dinheiro?

         Eu sei bem do que estou falando. Algumas vezes converso demais. No fim do dia sinto-me esgotado e arrependido de quase tudo que falei. Percebo que para nada se aproveitaram horas e horas de palavras desperdiçadas. Deveríamos falar apenas o necessário. Responder quando interrogados, perguntar quando em dúvidas, mas nunca criticar sem propósito ou julgar sem ser solicitado.

         Às vezes como mais do que deveria e sinto-me desconfortável. Minha barriga dói e tudo o que eu gostaria de fazer era voltar o tempo. Por quê comemos quando não temos fome? Por quê extrapolamos os limites que já conhecemos tão bem? Deveríamos comer apenas o necessário, a porção exata para matar nossa fome e nos manter saudáveis. Queremos, muitas vezes, aliviar uma ansiedade. Tentamos compensar uma falta, uma ausência, um vazio do coração.

         Tem dias que acordo eufórico. Saio de casa querendo comprar o mundo inteiro. Eu não preciso do mundo inteiro, preciso apenas do necessário para um dia, afinal, só tenho um dia para ser vivido por vez. Tenho uma sede de experimentar tudo rápido demais como se tudo fosse acabar amanhã.

         Nosso consumismo é exatamente isso: falta de compreender o que precisamos de verdade. A maioria dos bens que compramos são desnecessários. Eu mesmo tenho compulsão por comprar livros. Minhas duas estantes estão abarrotadas de livros não lidos, mas meus olhos permanecem fixos nas livrarias virtuais. Sei que amo ler, mas quem garante que estarei vivo amanhã para finalizá-los? Minha meta é ler um livro por vez, comprar um livro por vez. Sei que um dia chego lá.

         Hoje Deus falou comigo através dessa passagem: Se você está limpo, não precisa tomar banho, lave apenas os pés.

         Como nunca havia percebido isso antes?
         O que Deus está nos dizendo é: O que você faz, precisa ser feito? O que você pede, é necessário? O que você busca é realmente importante? Qual o propósito de tudo isso?

         É libertador compreender a necessidade das coisas. Podemos economizar tempo e energia. Podemos nos dedicar ao que realmente é necessário. Vamos nos livrar dos excessos. Vamos doar o que não precisamos. Temos roupas demais, sapatos demais, livros demais.

         Pedro era um homem exagerado em tudo o que fazia. Sua intensidade é conhecida por todos. Era um homem sincero e simples, movido por suas paixões. Primeiro ele repreendeu a Cristo quando este quis lavar seus pés. Quando enfim compreendeu aquele gesto, pediu um banho inteiro. Pedro vivia nos extremos dos polos. Eu me identifico com ele, somos muito parecidos.

         Jesus, muito educadamente, ensinou a Pedro o valor da objetividade. “Pense Pedro, pense. Se você já tem algo, porque continua atrás disso? Se você já recebeu o que procurava, por quê continua buscando, como se não tivesse?

         Será que nós já não temos o que precisamos e ainda não nos demos conta disso? Será que aquela antiga oração já não foi atendida e nós nos ajoelhamos, insistindo em pedir sempre as mesmas coisas? Pense!

         Jesus também quis mostrar a Pedro que não precisamos de muito para sermos felizes. Não precisamos de tanto para estarmos bem. Infelizmente não é isso que a mídia e a propaganda ensinam. O capitalismo nos enganou. Caímos nas mentiras sutis dos comerciais de margarina.

         Precisamos de paz, de saúde, de amor, de comunhão, de Deus. Precisamos de nossos familiares, amigos. Precisamos do básico: pão, vinho. Não deveríamos nos preocupar tanto com coisas tão pequenas.

         Talvez você não entenda que o importante mesmo é o básico das pequenas porções porque há anos foi convencido pela indústria do entretenimento de que o pouco não basta. Tudo tem que ser muito, senão não serve. Isso não é verdade.

         Eu já sou feliz, não preciso correr atrás da felicidade.
         Eu já estou suprido, não preciso de mais.
         Eu já estou limpo, não preciso tomar banho.

Que Deus encha nossos corações de gratidão e que abra nossos olhos para discernir o que realmente importa e o que realmente é necessário. Que nossos pés não saiam dessa trilha e que nosso objetivo seja forte. Amém.

Versículos de apoio:

Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário...
( Filipenses 4.16)

Porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
( Mateus 6.8)

Compra o que nos é necessário para a festa ( João 13.29)

domingo, 8 de abril de 2018

O menor é o Maior


Quem é o maior no reino dos céus?
(Mt 18.1)
Por Frankcimarks Oliveira

Objetivos:
1-    Analisar o comportamento dos discípulos em relação ao poder e a vaidade;
2-    Analisar o exemplo de Jesus e seus ensinos sobre o poder;
3-    Analisar o desvio da igreja desses ensinos.

Leia todo o capítulo de Mateus 18.

Nossos corações são vaidosos e cheios de caprichos. Disputamos por posições e por coisas que não deveríamos, até mesmo quando o nome de Deus está envolvido. Foi isso que os discípulos de Jesus fizeram logo após a transfiguração do Senhor no monte. Eles ainda não discerniam bem o que aquilo queria dizer.

Ao verem Elias e Moisés diante de Jesus glorificado, ficaram vislumbrados. Depois, cheios de expectativas, perguntaram quem era o maior no reino dos céus. Para sua infelicidade, viram Jesus colocando um menino no meio deles. Essa foi sua resposta: “Se não vos fizerdes como este menino, de modo algum entrareis no reino dos céus.” O maior para Deus é o menor e mais simples. Por que temos tanta dificuldade para entendermos isso?

Jesus foi um homem humilde, sem brilho, sem posição social, sem destaque, era apenas um carpinteiro, nasceu numa manjedoura, foi pobre, cresceu na periferia, não tinha parecer nem formosura, estava completamente na margem oposta daquilo que seria considerado grande e importante. Foi crucificado entre ladrões, considerado um rebelde. Contudo, como afirmou um dos soldados romanos na hora de sua morte: Este homem era verdadeiramente o filho de Deus.

Deus está sempre ao lado dessa gente marginalizada, suja e feia, pobre e miserável. Deus não está nos grandes salões de festas ou nos banquetes com os reis, não. Deus está na cadeira elétrica, nas favelas, nos guetos, nas calçadas, junto de moradores de ruas. Deus está nos presídios, onde ninguém jamais imaginaria que ele estaria. Porém, queremos acreditar que por ser Deus ilustre e maravilhoso, ele deve estar rodeado de beleza e de gente importante.

Jesus andava com prostitutas e bêbados, publicanos, pescadores e gente sem instrução intelectual. Por que perguntamos a Deus quem dentre nós é o maior? Será que nunca vamos entender seu Espírito?

Quando desejamos nos destacar nas igrejas com nossa sabedoria ou performasse religiosa, estamos bem afastados de Jesus. Quando achamos que nossa posição eclesiástica ou as roupas que vestimos determina nosso prestígio diante dos céus, mostramos que de fato nunca conhecemos o evangelho do nazareno.

Não deve haver no coração de um cristão essa interrogação: quem é maior no reino dos céus? Por que e como essa bendita pergunta foi parar ali? Que diferença faz saber quem está sendo mais relevante para o reino de Deus no momento? Ou quem é o verdadeiro representante de Deus na terra?

Deus colocou Elias e Moisés diante de Jesus. Esses dois homens foram os maiores de seu tempo. Falavam com Deus face a face e faziam sinais extraordinários. Contudo, agora, diante do simples carpinteiro de Nazaré, Deus testemunhou para que todos pudessem ouvir: Este é o meu filho, ouçam-no.

Nem Moisés nem Elias são alguma coisa perto de Jesus. Portanto, sabendo que aquele que era o rei, fez a si mesmo de escravo, por que ainda nos interessamos por status ou coisas desse tipo? Não faz sentido.

O cristianismo é por essência uma religião de gente desimportante, pelo menos da perspectiva secular. Escravos e pescadores eram os principais seguidores de Jesus. Roma zombava dessa seita nazarena. “Eles seguem a um deus morto”, diziam.

Jesus não veio chamar os justos, mas os pecadores. Não veio para os sábios, mas para os loucos, não veio para os escribas, mas para os indoutos. Jesus não veio chamar os saudáveis, mas os doentes, nem os que são, mas aqueles que não são, isto é, que são considerados a escória deste mundo.

Como há muito tempo a igreja se desviou da simplicidade do evangelho, não percebe que não possui o mesmo espírito de Jesus. A igreja deixou de andar com os pobres e imundos para andar com príncipes, reis e políticos. A igreja deixou de lutar pelos órfãos e viúvas para lutar pelos interesses dos ricos e bem-nascidos, que só exploram os mais miseráveis. A igreja passou a se importar mais com a grandeza de seus templos adornados de ouro do que com as pessoas que sofrem.

Jesus se importa com as ovelhas feridas e desgarradas. A igreja se importa com a quantidade de membros assíduos em suas reuniões. Não há humanidade na liderança cristã, e isso não vem de hoje.

Deus não dá a mínima para edificações religiosas que colocam seu nome na fachada. Deus se importa com as relações humanas, com a misericórdia dada e vivida. “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali eu estarei no meio deles”. Onde há amor e fé, há Deus.

É bizarro ligar a tv e ver um pastor falando em ódio, em eliminar os diferentes, achando que ao agir assim, está lutando pelo reino de Deus. Na verdade, ele está fazendo o oposto. A mensagem do evangelho é a reconciliação e não a guerra. “Se teu irmão pecar contra ti, perdoa-o setenta vezes sete”.

A igreja cristã se esqueceu que um dia foi minoria, que um dia foi morta nos coliseus da vida, que foi perseguida e apedrejada. O oprimido quando sobe ao poder, sente um enorme de desejo de oprimir. Mas Jesus ensinou a dar a outra face e não pagar mal com mal.

A igreja cristã se tornou uma instituição rica, influente e poderosa, por isso se desviou tanto do Senhor. Nós que recebemos misericórdia de Deus, deveríamos também dar misericórdia ao nosso próximo. Nunca nos esqueçamos o lugar de onde viemos. Cristo pagou nossa dívida perante o Pai, que possamos nós também, perdoarmos as dívidas dos que nos devem.
Quando estamos por baixo, somos humildes e até imploramos por socorro. Mas quando ascendemos um pouco, quando estamos por cima da carne seca, como se diz, nos tornamos arrogantes e impiedosos. Não deveria ser assim.

O poder transforma negativamente os homens. “DÊ PODER A UM HOMEM E VOCÊ O CONHECERÁ DE FATO”. O poder nos dá uma falsa sensação de superioridade. Mas não se esqueça, Jesus colocou um menino diante dos discípulos para que eles o tivessem como modelo. Nossa escada é para baixo. Quanto mais descemos, mais subimos. Termino dizendo que o cristianismo é sim uma religião de amor , compaixão e misericórdia, ainda que a Igreja esteja tão desviada do evangelho e não passe essa impressão.

Os meninos ao conhecerem o poder se tornam homens. Os homens ao conhecerem Jesus, se tornam meninos.

domingo, 25 de março de 2018

A EXPERIÊNCIA DA FÉ CRISTÃ


Este é o meu Filho ( Mateus 17.5)

Por Frankcimarks Oliveira
Objetivos:

1-    Demonstrar a necessidade de uma experiência mística e individual com Deus para a fé cristã,
2-    Demonstrar a diferença entre o conhecimento de fé (credo) e fé como acontecimento,
3-    Demonstrar quão facilmente se equivocam os homens acerca da fé cristã e da genuína espiritualidade.

Observação: É necessária a leitura integral do capítulo de Mateus 17 .

Cristo está num lugar elevado, exaltado sobre todos, para revelar sua grandeza a seus discípulos. Eles precisavam consolidar a fé naquilo que Pedro afirmara: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo. Uma coisa é ouvirmos isso da boca de outras pessoas, outra bem diferente é a ouvirmos através do próprio Deus.

“E estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo.” (V 5-6)

A fé cristã é uma fé de revelação. Não basta a experiência religiosa, em que um homem transmite o que experimentou para outras pessoas, testemunhando sua espiritualidade. É preciso que cada cristão tenha sua própria experiência mística. Foi isso que Cristo fez seus seguidores vivenciarem. Primeiro foi Pedro, depois alguns outros e assim por diante.

Leitor, pense comigo. O que você sabe sobre Cristo foi aprendido ou experimentado? É possível alguém aprender teologia e reproduzir o que aprendeu através de palestras, pregações. Ter uma convicção plena de que de fato Cristo é o Senhor, o filho de Deus, salvador dos pecadores, depende única e exclusivamente de uma experiência sobrenatural no coração, realizada de cima para baixo, nunca o contrário. É Deus quem se revela, pois, sendo mistério, não pode ser achado, Deus oculta-se numa nuvem luminosa. Não somos capazes de encontra-lo; é Deus quem se dá a conhecer aos homens, retirando a venda sobreposta a nossos olhos.

Uma pessoa pode aprender que Jesus é considerado o filho de Deus na história ocidental, porém, somente aqueles que o “comem”, que o tem como pão da vida, são capazes de serem um com ele. Cristo deve ser parte do nosso organismo, ser absorvido pelo nosso sangue, entrar em nossas células, ser uma vida com a nossa. Estou falando de vivência e não de conhecimento.

Pedro afirmou depois de uma revelação divina: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo. Jesus retrucou: Essa revelação não veio da carne ou do sangue, isto é, sua procedência não é humana, terrena, é sobrenatural, divina, mística.

A fé genuína jamais será aprendida em catequeses, escolas bíblicas, cursos teológicos. A verdadeira fé é fogo, é vida, é revelação, nasce no coração, contagia toda a nossa visão de mundo.

Quem é Jesus para você? O que ele significa para você? Que importância tem Cristo em sua vida? Jesus é o sol que ilumina seus olhos? Jesus é a luz que clareia seu caminho? É através dele que você interpreta a vida?

Minha ótica cristã não é respaldada em Moisés, isso é, no velho testamento. Minha ótica de fé não está respaldada nos profetas velho testamentários como Elias. Minha ótica de fé é Cristo, aquele que é maior do que ambos, cujos ensinamentos foram além do pensamento simplista dos homens de seus dias.

Cristo Jesus é o ápice da revelação divina. Moisés e Elias apontavam para ele, em mistérios, sem muita clareza, contudo, agora o podemos contemplar na luz do dia, sem interrogações. Tenho a Cristo, tenho a Cristo, de nada sou necessitado.

As religiões do mundo por não compreenderem quem Jesus realmente é, são nada mais que reproduções do comportamento equivocado dos discípulos, que ao verem Moisés e Elias junto a Cristo, pediram para levantar barracas aos três. O que é levantar barracas nesse sentido? Equiparar Jesus a seus antecessores, formando religiões nos moldes deles. Não!

O cristianismo não deveria ser mais uma religião humana. O cristianismo é um modo de vivenciar Deus no mundo, sem templos, sem cartilhas teológicas, sem barreiras doutrinais (judeus e samaritanos), sem empecilhos culturais (o eunuco etíope, o centurião romano etc). O sustentáculo dessa “nova” fé é o amor desburocratizado, apoiado na humildade daqueles que compreenderam sua indignidade diante do favor divino ao serem aceitos em seu reino.

Todos são bem-vindos, contudo somente alguns terão essa experiência vívida e real, e são esses que discernirão bem o evangelho. Alguns simpatizarão com a fé cristã, porém permanecerão seguindo a Cristo como quem segue a um Elias ou Moisés, ou um Buda, Alan Kardec, Gandhi, Maomé. Jesus Cristo não está no patamar destes líderes, ele transcende a razão humana, por isso mesmo, precisa ser uma experiência mística e não meramente intelectual.

São felizes aqueles a quem Deus chamou. Necessário é, porém, que haja um entendimento correto da parte destes que, podem muito bem, assim como Pedro, Tiago e João, se precipitarem em suas respostas, achando que Deus os chamou para levantarem barracas, abrirem igrejas, alçarem tabernáculos religiosos.

É comum, muito comum que os homens queiram se congregar em um lugar fechado e ali cultuar o nome de seu deus. Jesus levou seus discípulos para cima de um monte, isso não significa nada? Jesus não mandou que seus seguidores levantassem templos, mandou que saíssem pelo mundo espalhando seus ensinamentos.  Não é em Samaria nem em Jerusalém o lugar do culto, pois para Deus não existem lugares sagrados. Onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome, ali ele se fará presente, mesmo sem placas denominacionais, sem assentos ou púlpitos. Jacó usava pedras para invocar a Deus, Abel sacrificava ovelhas, Abraão subia montes, Jesus ia para jardins, Paulo ia para praia fazer suas orações. Quando vamos compreender que a era dos tabernáculos já passou. Cristo é o nosso tabernáculo. Nele nós entramos, dele jamais sairemos.

“Este é o meu filho amado em quem me comprazo”. Nossa fé repousa nessa verdade. Não é que Deus tenha dito essa frase naquele dia, há milhares de anos, Não. Deus continua dizendo a mesma coisa, em corações privados, sofridos, chorosos, pelo mundo afora. “Jesus é o meu filho, escutai-o”. A voz de Jesus é o evangelho. Ora, os homens dizem muitas coisas, mas o que Jesus tem a dizer? Alguns dizem que Elias devia vir primeiro, outros diziam que não. Sobre a salvação alguns dizem isso, outros dizem aquilo. Não me importo com o que os padres ou pastores ensinam, me importo com o que o evangelho ensina.

Cada um toma para si aquilo que é conveniente. Ensinam sobre o dízimo porque dá dinheiro, ensinam sobre costumes ultrapassados porque lhes permite o controle sobre as pessoas e as domestica para uma obediência cega. O que Jesus diz sobre isso?

Concluindo: a fé cristã genuína parte do céu e acha repouso no coração dos pecadores. Trata-se de uma experiência e não de um aprendizado. É simples, não necessita de estruturas físicas ou aparatos religiosos. Centraliza-se na pessoa de Jesus, não como mais um líder religioso, mas como a luz divina, o verbo encarnado, o filho de Deus. Acontece na vida e não dentro de templos. É livre das conjecturas humanas. Finda no amor aos oprimidos. É alimentada através de orações e jejuns. É livre de obrigações, porém está longe da rebeldia anárquica, sem propósito, pois atua através de uma consciência transformada que sabe discernir pessoas e situações. É livre, pois tem em Cristo seu fiador. É despreocupada, pois Cristo venceu a morte e todos os mortos o reverenciam como senhor e rei, seja do céu, seja do inferno. Amém.


Se Deus não falar na alma, para nada se aproveitam os manuais de catequese.