quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O RETRATO DE UM HOMEM BOM



Louvai ao SENHOR. Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer. A sua semente será poderosa na terra; a geração dos retos será abençoada. Prosperidade e riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre. Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. O homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com juízo; porque nunca será abalado; o justo estará em memória eterna. Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no Senhor. O seu coração está bem confirmado, ele não temerá, até que veja o seu desejo sobre os seus inimigos. Ele espalhou, deu aos necessitados; a sua justiça permanece para sempre, e a sua força se exaltará em glória. O ímpio o verá, e se entristecerá; rangerá os dentes, e se consumirá; o desejo dos ímpios perecerá.
POR FRANKCIMARKS OLIVEIRA

São poucos os homens bons neste mundo, disse o salmista (Sl 12.1), e é verdade. Não precisamos fazer muito esforço, caso nossos “olhos” estejam saudáveis, para chegarmos à mesma conclusão que ele.  

Nesta breve mensagem irei retratar o perfil bíblico de um homem bom. Irei confrontar a ideia religiosa de retribuição/ salvação pelas boas obras. Mostrar a perspectiva do evangelho sobre recompensa/ galardão.

Espero que essa mensagem sirva para consolidar uma fé genuinamente cristã nos corações de meus leitores sinceros. Desejo que haja uma mudança de paradigma quanto ao assunto proposto, de modo que sejamos todos humildes diante do Eterno.

A BONDADE VEM DE DEUS OU ESTÁ EM NÓS?

É motivo de louvor o fato de existir, aqui e acolá, um ou outro homem/ mulher de bem. Deus, em sua glória, deve ser louvado quando nos depararmos com tais indivíduos, pois se esses existem, que sejamos nós também parte desse pequeno rebanho, é graças ao trabalho insistente de Deus.

É bem verdade que o salmista alega haver recompensas para os que são bons, tais quais prosperidade, riquezas e etc. como se a bondade fosse algo que parte do próprio benfeitor e por isso mesmo necessitasse de reconhecimento, ficando Deus como mero galardoador. Eu, contudo, não creio que seja assim. Acredito como Paulo:

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:10)

        Se Deus nos retribui as boas obras praticadas, e se nossas boas obras são reflexo de seu aperfeiçoamento em nós, logo, Deus retribui a si mesmo em nós.

QUAL O CONCEITO QUE TEMOS DE BONDADE?

        Feliz aquele que medita em sua palavra ( v.1)

Se a bíblia é o mapa do tesouro que nos conduz para sermos bem-sucedidos em nossa jornada e se alcançamos nosso objetivo graças a ela, então já não é por nosso mérito que alcançamos, mas pelo de Deus que nos orientou. Assim também o homem bom reconhece que a bondade que pratica não vem dele mesmo, mas de Deus, que não somente o ensinou sobre a bondade como dever, mas lhe deu condições físicas e espirituais de exercer aquilo que aprendeu na bíblia, na vida, no mundo.

Sem Deus não haveria homens bons na terra. Se Deus não guardasse para si um remanescente, nenhum de nós falaríamos com doçura em seu nome ou reconheceríamos as obras de suas mãos. Deus nos conserva a fé, depois de nos ter dado a fé, para que caminhemos crendo em seu nome. De modo que tudo vem dele. “Por ele e para ele são todas as coisas”.

Não há nenhum justo sequer, disse o salmista ( Sl 143.2) Todos nós somos pecadores aos olhos de fogo Dele. Nossas obras por melhores que sejam, não passam de obras manchadas pelo pecado. Deus é Santo, portanto não pode receber de mãos sujas o que quer que seja. Por isso, Deus só recebe de nós aquilo que ele mesmo fez em nós e por nós. Desse modo ele pode nos recompensar.

Toda recompensa, nesse sentido, se manifesta, não como retribuição divina, como se Deus antes estivesse em dívida, mas como pura graça e generosidade do Pai Celeste. Deus é misericordioso e bom, tem enorme prazer em agradar seus filhos, enchendo-os de dádivas, ainda quando estes não merecem (filho pródigo)

Logo, o Evangelho não nega que haja da parte de Deus uma “recompensa” para aqueles que façam o bem, todavia, a perspectiva do evangelho é outra, diferente da ensinada pelas religiões.

Deus não tem obrigação alguma em retribuir o bem, afinal, é nosso dever ético agirmos justamente. “Faça aos homens o que você quer que lhe façam”. A vida em sociedade só é possível assim.

Não há mérito em não matar. Eu não sou uma pessoa melhor por não matar alguém. Se não mato, cumpro apenas com minha obrigação moral de não tocar naquilo que não me pertence.

Matar me torna alguém pior, porém não matar não me acrescenta nenhum louvor. Há uma diferença latente entre não matar e promover a vida. Eu posso não matar ninguém e ainda assim não promover vida. Agora eu posso, não matando, ir além dessa obrigação e gerar vida na sociedade através do bem, do amor.

DEUS É A FONTE PRIMÁRIA DO BEM

O homem é, por causa da graça universal de Deus, capaz de fazer o bem. Existe, mesmo no homem caído, uma centelha da imagem de Deus. Nós fomos feitos à imagem dele, que é amor ardente. Por isso necessitamos amar, dependemos disso para sermos realizados, porque em essência somos como Deus.

Até o pior dos criminosos carrega em seu peito essa fagulha. Hitler amava sua família? Quem pode negar isso? Um estuprador sente amor por alguém? Por que não haveria de sentir?

Restou em todos nós um fragmento das digitais divinas. Se amamos, amamos por causa dele.

O simples fato de Deus ter nos trazido a existência, quando estava desobrigado em si mesmo, pois como perfeito que é, Deus bastava-se em todas as eternidades, mostra o seu amor desprendido.

Deus quis compartilhar a vida conosco. Poderia ser ele mesmo a vida do universo e não somente ser a vida, mas tê-la só pra si. Contudo, Deus quis dividir a beleza que ele mesmo criou com cada um daqueles que viria ao mundo.

Existir já é muita coisa. Ainda que a vida seja cheia de sofrimento, o fato de estarmos vivos, aqui e agora, podendo conhecer a realidade, podendo tomar conhecimento da existência de Deus, podendo formar uma família ou seja o que for, já é motivo para nos alegrarmos.

Deus foi bom o bastante pelo simples fato de ter nos criado. Mesmo que ele não fizesse mais nada por nós, ainda assim, deveria ser chamado de Bom para sempre.

Deus me deu consciência de que existo. Deus me deu a oportunidade de fazer algo com minha vida. Isso por si só já não e muito?

BONDADE COMO UM CAMINHO PARA REALIZAÇÃO PESSOAL

Assim, tendo refletido em todas essas questões, o homem bom é grato. Ele olha para o céu e sabe que recebeu tudo o que precisava para ser feliz. Não somente é grato, mas demonstra sua gratidão agindo como Deus: sendo piedoso, misericordioso e justo com os que o cercam. (v.4)

Assim como Deus espalhou a vida e nos deu aquilo de que necessitávamos para viver, o homem bom espalha suas boas sementes caminho afora. O homem bom empresta ao aflito, perdoa o ofensor e não retém o bem. Não espera nada em troca porque é consciente de tudo o que já tem recebido das mãos divinas. O amor como objeto é o próprio galardão.

Olhem para Cristo e vejam Nele esse homem bom, imagem perfeita do Pai. Cristo andou pela terra fazendo o bem e curando a todos os oprimidos. Ele distribuiu comida aos famintos, curou enfermidades, ensinou o caminho da justiça, deu de beber a quem tinha sede, perdoou pecados.

Concluo dizendo: todo homem bom se parece com Jesus. Aliás, Deus nos fez e nos salvou e nos justificou para sermos como Cristo. Deus está nos moldando para ficarmos a cara do Senhor. Cristo é a pintura ideal. Ao nos pintar, Deus olha para seu filho amado.

Que Cristo seja nosso modelo e caminho.

sábado, 15 de setembro de 2018

É JUSTO O QUE FAÇO?


É lícito o homem repudiar sua MULHER por qualquer motivo? ( Mt 19.3)


Por Frankcimarks Oliveira


Este mundo é dos homens, sempre foi. Foram os homens quem escreveram a história e deram sua versão dela à posteridade. Os homens escreveram os livros, fizeram as leis, governaram as cidades. Claro, que tendo usufruído deste poder descomunal, precisavam manter em sujeição a mulher, sua rival.

As mulheres ainda hoje precisam lutar pelo seu lugar no mundo, porque os homens, alguns deles, ainda se recusam a enxergá-las como iguais. Apenas após a primeira guerra mundial foi que a mulher conseguiu alcançar alguns poucos direitos. A luta delas não é contra nós homens, é contra a desigualdade e injustiça que sofrem, logo, todo aquele que tem sede de justiça se coloca ao lado delas.

Infelizmente, aqueles que são contra as melhorias das condições de vida das mulheres, utilizam-se, muito indevidamente, do discurso da fé em Deus, das tradições familiares e etc. para legitimar suas ideias egoístas contra, por exemplo, salários justos e equivalentes para estas. Existem aqueles que se dizem contra a inserção delas no mercado de trabalho, porque segundo eles, Deus fez a mulher para ser dona de casa e auxiliar de seu marido.

Veremos hoje o quão mesquinho é o ser humano e o quanto é capaz de manipular as escrituras sagradas para conseguir o que desejam. Deus não pode ser manipulado por homens, sejam religiosos, teólogos ou que for. Deus sempre estará do lado dos oprimidos, dos mais fracos, ainda que desagrade uma vasta maioria.

Jesus foi interrogado pelos fariseus acerca do desquite. “É lícito o homem repudiar sua MULHER por qualquer motivo?” ( Mt 19.3) Percebe-se que eles esperavam uma resposta positiva, pois acreditavam e ensinavam que o próprio Moisés tinha autorizado tal prática. (V.7) “Moises, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa da fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”. ( v.9)

O sexo é uma aptidão poderosa em nós. A mulher, contudo, não pode ser vista apenas como objeto sexual. Antes disso, ela é um ser humano, feita à imagem e semelhança de Deus, digna de cuidado e respeito.

Os fariseus eram como qualquer outro homem de sua época. A diferença entre eles e os demais era que sabiam manusear bem as escrituras. Entenderam que havia uma brecha na lei mosaica que os permitia repudiar suas mulheres por qualquer motivo. Jesus os contradisse. Ora, o divórcio não pode ser banalizado, afinal, o homem não está lidando com uma coisa ou um animal, está lidando, como já disse, com um ser humano. Portanto, várias questões devem ser analisadas.

Tal atitude só revelava a dureza dos corações destes homens em relação às mulheres. Eles não percebiam o quanto o que eles diziam e faziam revelava quem eles realmente eram: maus e canalhas. As palavras e os gestos de uma pessoa falam mais do que podemos imaginar.

A mulher naqueles dias dependia do pai ou do marido. Sem um homem a seu lado, ela estava praticamente inerte, aleijada. Não tinha poder aquisitivo, nem herdava bens, desse modo um divórcio sem motivo a arruinaria. Provavelmente ela mendigaria ou se prostituiria para sobreviver. Ela nem se quer era contada nos censos, não podia participar de certas cerimônias e não tinha voz para questões políticas ou religiosas.

O mesmo tratamento indiferente recebia as crianças. (Mt 19.13-15) Jesus repreendeu seus discípulos que tentavam impedi-las de se aproximar. “O reino dos céus pertence a elas”, disse. Ora, isso tudo para mostrar o quanto os homens excluíam e excluem os mais fracos.

Jesus recebeu mulheres em seu grupo. Perdoou pecadoras e deu-lhes funções em sua comitiva, mostrando que perante Deus, somos todos iguais, não importando o gênero. Jesus deu voz às mulheres. O testemunho de uma mulher não era levado em consideração, apenas o de dois homens. Ao ressuscitar dos mortos, Jesus apareceu para Maria Madalena, constituindo-a uma apóstola para os demais acerca de sua vida. Será que isso não tem valor? Ele não apareceu de cara para um homem. Escolheu uma mulher para dizer que estava vivo, só depois, por causa daquela tradição boba, apareceu para Pedro e João.

Deus inverte as coisas. Defendeu as mulheres oprimidas de seus dias. Chamou as crianças para seu reino. Convidou leprosos, mendigos, cegos, coxos, analfabetos, todos os rejeitados e marginalizados pela sociedade para estarem em sua companhia. O que surpreende os homens, não surpreende a Deus. Nem mesmo o jovem rico que aparece na narrativa em seguida o surpreende. Dinheiro algum pode comprar Jesus, nem suposta obediência à lei. Deus não se deixa levar pela aparência das coisas.

Aquele dinheiro poderia ser distribuído aos pobres, e isso sim agradaria a Deus. Há muita injustiça nesse mundo e Deus se importa com os justos, isso é, com aqueles que buscam justiça, fazer justiça.

Repudiar uma esposa sem motivo não é justo. Excluir uma criança (um pequenino) do reino de Deus não é justo. Reter riquezas enquanto milhares passam fome não é justo. Os filhos do Deus justo hão de fazer o que é certo.

Uma mulher fazer uma mesma função de um homem em determinado emprego e receber menos não é justo. Ser distratada pelo simples fato de ser mulher não é justo. Ser assediada em público por causa de suas vestes não é justo. Ser humilhada e apanhar do marido em casa não é justo.
Pense leitor, você acha certo perpetuar discursos de ódio que diminuem seres humanos? Se por acaso você é daqueles retrógrados que pensam “tudo bem uma mulher ser estuprada”, então você pode ser tudo, menos um filho da luz.

Também vale frisar o que eles perguntam : É lícito? Nem tudo o que é legal é justo. Não podemos esquecer que a segregação racial já foi amparada por lei. A escravidão também já foi legal e nem por isso é justa. A lei humana reflete muito nosso egoísmo. Fazemos leis para todos?

Antes de qualquer coisa, leitor, pense no seguinte: É justo o que faço? Como minhas ações revelam meu coração diante de Deus? Estou buscando fundamento legal para ser um hipócrita desonesto?

Para concluirmos, o texto acima trata do egoísmo masculino, apegado ao sexo e ao dinheiro, incapaz de se importar com o bem-estar dos outros. Esse é o grande pecado: não amar o próximo, seja mulher, criança, negro, jovem, idoso. Deus é amor, Deus é Justo, Deus julgará nossas ações. Amém.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Apenas o Necessário


Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos. (João 13:5-10)

Por Frankcimarks Oliveira
Objetivo desta mensagem:

1-    Refletir sobre as coisas realmente necessárias em nossas vidas;
2-    Refletir em nosso exagero cotidiano;
3-    Refletir em nossa falta de objetividade.

O importante nesta mensagem hoje não é analisar o exemplo de serviço cristão dado por Jesus. Também não pretendo analisar a traição de Judas, nem meditar na ceia do Senhor. Gostaria de focar na resposta concisa e clara de Cristo a Pedro: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos!

Esse termo “Não Necessita” despertou minha atenção. É sobre ele que falaremos agora.

Você sabe do que realmente precisa para viver? Será que eu e você temos alguma ideia do que realmente é necessário para nossa vida e felicidade? Provavelmente não.
         Geralmente perdemos com muita facilidade o foco das coisas importantes. Gastamos nosso tempo e energia com coisas secundárias e supérfluas. Essa não é a vontade de Deus para nós.

         Uma vida sem atenção, sem reflexão e objetivo, é uma vida desperdiçada. Deixamos de fazer o que deveríamos fazer, porque não nos demos conta de que o que estávamos fazendo era DESNECESSÁRIO.

         O que eu tenho feito com meu tempo?
         O que tenho feito com meu trabalho?
         O que tenho feito com meu dinheiro?

         Eu sei bem do que estou falando. Algumas vezes converso demais. No fim do dia sinto-me esgotado e arrependido de quase tudo que falei. Percebo que para nada se aproveitaram horas e horas de palavras desperdiçadas. Deveríamos falar apenas o necessário. Responder quando interrogados, perguntar quando em dúvidas, mas nunca criticar sem propósito ou julgar sem ser solicitado.

         Às vezes como mais do que deveria e sinto-me desconfortável. Minha barriga dói e tudo o que eu gostaria de fazer era voltar o tempo. Por quê comemos quando não temos fome? Por quê extrapolamos os limites que já conhecemos tão bem? Deveríamos comer apenas o necessário, a porção exata para matar nossa fome e nos manter saudáveis. Queremos, muitas vezes, aliviar uma ansiedade. Tentamos compensar uma falta, uma ausência, um vazio do coração.

         Tem dias que acordo eufórico. Saio de casa querendo comprar o mundo inteiro. Eu não preciso do mundo inteiro, preciso apenas do necessário para um dia, afinal, só tenho um dia para ser vivido por vez. Tenho uma sede de experimentar tudo rápido demais como se tudo fosse acabar amanhã.

         Nosso consumismo é exatamente isso: falta de compreender o que precisamos de verdade. A maioria dos bens que compramos são desnecessários. Eu mesmo tenho compulsão por comprar livros. Minhas duas estantes estão abarrotadas de livros não lidos, mas meus olhos permanecem fixos nas livrarias virtuais. Sei que amo ler, mas quem garante que estarei vivo amanhã para finalizá-los? Minha meta é ler um livro por vez, comprar um livro por vez. Sei que um dia chego lá.

         Hoje Deus falou comigo através dessa passagem: Se você está limpo, não precisa tomar banho, lave apenas os pés.

         Como nunca havia percebido isso antes?
         O que Deus está nos dizendo é: O que você faz, precisa ser feito? O que você pede, é necessário? O que você busca é realmente importante? Qual o propósito de tudo isso?

         É libertador compreender a necessidade das coisas. Podemos economizar tempo e energia. Podemos nos dedicar ao que realmente é necessário. Vamos nos livrar dos excessos. Vamos doar o que não precisamos. Temos roupas demais, sapatos demais, livros demais.

         Pedro era um homem exagerado em tudo o que fazia. Sua intensidade é conhecida por todos. Era um homem sincero e simples, movido por suas paixões. Primeiro ele repreendeu a Cristo quando este quis lavar seus pés. Quando enfim compreendeu aquele gesto, pediu um banho inteiro. Pedro vivia nos extremos dos polos. Eu me identifico com ele, somos muito parecidos.

         Jesus, muito educadamente, ensinou a Pedro o valor da objetividade. “Pense Pedro, pense. Se você já tem algo, porque continua atrás disso? Se você já recebeu o que procurava, por quê continua buscando, como se não tivesse?

         Será que nós já não temos o que precisamos e ainda não nos demos conta disso? Será que aquela antiga oração já não foi atendida e nós nos ajoelhamos, insistindo em pedir sempre as mesmas coisas? Pense!

         Jesus também quis mostrar a Pedro que não precisamos de muito para sermos felizes. Não precisamos de tanto para estarmos bem. Infelizmente não é isso que a mídia e a propaganda ensinam. O capitalismo nos enganou. Caímos nas mentiras sutis dos comerciais de margarina.

         Precisamos de paz, de saúde, de amor, de comunhão, de Deus. Precisamos de nossos familiares, amigos. Precisamos do básico: pão, vinho. Não deveríamos nos preocupar tanto com coisas tão pequenas.

         Talvez você não entenda que o importante mesmo é o básico das pequenas porções porque há anos foi convencido pela indústria do entretenimento de que o pouco não basta. Tudo tem que ser muito, senão não serve. Isso não é verdade.

         Eu já sou feliz, não preciso correr atrás da felicidade.
         Eu já estou suprido, não preciso de mais.
         Eu já estou limpo, não preciso tomar banho.

Que Deus encha nossos corações de gratidão e que abra nossos olhos para discernir o que realmente importa e o que realmente é necessário. Que nossos pés não saiam dessa trilha e que nosso objetivo seja forte. Amém.

Versículos de apoio:

Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário...
( Filipenses 4.16)

Porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
( Mateus 6.8)

Compra o que nos é necessário para a festa ( João 13.29)